Jequite-Foi

Jequi-foi  chão pisado pelos carros de bois que passavam com seu chiado bonito pelo curral dos bois.
Jequi-foi  pousada dos tropeiros, flagelados e boiadeiros que do Porto-Terra saiam pelo sertão inteiro.

 Jequi-foi  abrigo dos caboclos cotoxós e mongoiós que só em ouvirem falar no desbravador João Gonçalves da Costa saiam do Sertão da ressaca para dentro da mata.

 Jequi-foi  terra de homens humildes: do vassoureiro que vendia suas vassouras para os mateiros, da apanhadeira de água e do raizeiro com seu remédio caseiro.
Gente que soube enfrentar a seca e a enchente como quem aprende a cantar.

 Jequié  Cidade Sol que vive sempre a brilhar parece que seus raios querem dizer que teu povo precisa se libertar.
Jequié menino de pés no chão.
Jequié Rio das Contas cheio de poluição.

 Jequié terra esquecida.
Jequié  povo sem vida.
Jequié gente que sabe o que quer: terra, educação, comida café.

Jequi-será quando o povo se organizar.
Jequi-será quando teus poetas e teus artistas se organizarem e começarem a falar do teu povo folclórico, do teu histórico e de tua cultura popular.
Jequi-será quando o estudante se organizar e lutar para o ensino melhorar.

Jequi-será quando a mulher se organizar e começar a lavar a sujeira e a exploração que hão de se acabar.
Jequi-será quando o pescador se organizar e em seu jequi peixe bom pegar.

Jequi-será quando o sertanejo se organizar e começar a contar a história do povo jequieense: que tudo vence.
Nesse dia um novo sol vai brilhar e o povo de Jequié vai pelas ruas a cantar.
E a liberdade vai chegar.
E o povo de Jequié vai ensinar que é preciso sempre lutar!

Deixe um comentário